Lélia Gonzalez: por um feminismo afro-latino-americano - ensaios, intervenções e diálogos


RIOS, Flavia; LIMA, Márcia (org.). Lélia Gonzalez: por um feminismo afro-latino-americano - ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

Apresentação:

"Leiam Lélia Gonzalez!", convocou a filósofa americana Angela Davis em recente passagem pelo país.
Filósofa, antropóloga, professora, escritora, militante do movimento negro e feminista precursora, Lélia Gonzalez foi uma das mais importantes intelectuais brasileiras do século XX, com atuação decisiva na luta contra o racismo estrutural e na articulação das relações entre gênero e raça em nossa sociedade.
Com organização de Flavia Rios e Márcia Lima, Por um feminismo afro-latino-americano reúne em um só volume um panorama amplo da obra desta pensadora tão múltipla quanto engajada. São textos produzidos durante um período efervescente que compreende quase duas décadas de história ― de 1979 a 1994 ― e que marca os anseios democráticos do Brasil e de outros países da América Latina e do Caribe. Além dos ensaios já consagrados, fazem parte desse legado artigos de Lélia que saíram na imprensa, entrevistas antológicas, traduções inéditas e escritos dispersos, como a carta endereçada a Chacrinha, o Velho Guerreiro. O livro traz ainda uma introdução crítica e cronologia de vida e obra da autora.
Irreverente, interseccional, decolonial, polifônica, erudita e ao mesmo tempo popular, Lélia Gonzalez transitava da filosofia às ciências sociais, da psicanálise ao samba e aos terreiros de candomblé. Deu voz ao pretuguês, cunhou a categoria de amefricanidade, universalizou-se. Tornou-se um ícone para o feminismo negro.

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Sumário:

Introdução | Flavia Rios e Márcia Lima - p. 6

Parte I - Ensaios

1. Cultura, etnicidade e trabalho: efeitos linguísticos e políticos da exploração da mulher - p. 20

2. A juventude negra brasileira e a questão do desemprego - p. 39

3. A mulher negra na sociedade brasileira: uma abordagem político-econômica - p. 43

4. O apoio brasileiro à causa da Namíbia: dificuldades e possibilidades - p. 58

5. Racismo e sexismo na cultura brasileira - p. 67

6. Mulher negra - p. 84

7. O Movimento Negro Unificado: um novo estágio na mobilização política negra - p. 101

8. A categoria político-cultural de amefricanidade - p. 115

9. Por um feminismo afro-latino-americano - p. 126

10. Nanny: pilar da amefricanidade - p. 137

11. A mulher negra no Brasil - p. 144

Parte II - Intervenções

1. Mulher negra: um retrato - p. 157

2. Alô, alô, Velho Guerreiro! Aquele abraço! - p. 163

3. A questão negra no Brasil - p. 167

4. Pesquisa: mulher negra - p. 174

5. Mulher negra, essa quilombola - p. 179

6. Democracia racial? Nada disso! - p. 183

7. De Palmares às escolas de samba, tamos aí - p. 186

8. Taí Clementina, eterna menina - p. 189

9. A esperança branca - p. 193

10. Beleza negra, ou: ora-yê-yê-ô! - p. 196

11. E a trabalhadora negra, cumé que fica? - p. 199

12. Racismo por omissão - p. 202

13. Homenagem a Luiz Gama e Abdias do Nascimento - p. 204

14. História de vida e louvor (uma homenagem a Zezé Motta) - p. 210

15. Para as minorias, tudo como dantes... - p. 212

16. A cidadania e a questão étnica - p. 214

17. Odara Dudu: beleza negra - p. 224

18. Discurso na Constituinte - p. 226

19. O terror nosso de cada dia - p. 244

20. As amefricanas do Brasil e sua militância - p. 246

21. A importância da organização da mulher negra no processo de transformação social - p. 248

22. Uma viagem à Martinica I - p. 252

23. Uma viagem à Martinica II - p. 256

Parte III - Diálogos

1. Duas mulheres comprometidas em mudar o mundo - p. 261

2. Entrevista a Patrulhas Ideológicas - p. 266

3. A lei facilita a violência - p. 277

4. Entrevista ao jornal Mulherio: Lélia Gonzalez, candidata a deputada federal pelo PT/RJ - p. 279

5. O racismo no Brasil é profundamente disfarçado - p. 281

6. Mito feminino na revolução malê - p. 285

7. A democracia racial: uma militância - p. 289

8. Entrevista ao Pasquim - p. 292

9. Entrevista ao Jornal do MNU - p. 303

Apêndice. A propósito de Lacan - p. 313

Notas - p. 324

Bibliografia - p. 330

Fontes - p. 334

Nota biográfica - p. 340

Uma cronologia de Lélia Gonzalez - p. 342

Sobre as organizadoras - p. 347