O império do capital


WOOD, Ellen Meiksins. O império do capital. Tradução de Paulo Cezar Castanheira. São Paulo: Boitempo, 2014.

Apresentação:

Nesta era de globalização, ouvimos muito falar de um novo imperialismo e de seu principal impositor, os Estados Unidos. Hoje, com tal país a prometer uma guerra sem fim contra o terrorismo e a promoção de uma política de defesa preventiva, essa noção parece mais evidente do que nunca. Mas o que afinal pode significar imperialismo na ausência de conquista colonial e dominação imperial direta? Desmanchando consensos, Ellen Meiskins Wood apresenta neste livro uma das mais respeitadas análises do imperialismo norte-americano, para ela, um fenômeno absolutamente inédito na história mundial. Descrito pelo historiador Robert Brenner como 'o estudo mais convincente do imperialismo na sua fase atual - como surgiu, como opera, como difere das formas anteriores', o livro investiga o novo imperialismo contra o fundo contrastante das formas mais antigas, desde a Roma antiga, passando pela Europa medieval, o mundo árabe maometano, as conquistas espanholas e o império comercial holandês. Pesquisando o nascimento de um imperialismo capitalista na dominação inglesa da Irlanda, Wood acompanha o seu desenvolvimento através do Império Britânico na América e na Índia.
A tese principal de Wood é de que a natureza específica do imperialismo norte-americano e, na prática, do império capitalista, é operar o máximo possível por meio dos imperativos econômicos, e não pelo domínio colonial direto. Assim afirma, sem hesitar que "os Estados Unidos foram o primeiro império verdadeiramente capitalista do mundo e que ainda está para ser substituído".
Mesmo depois das invasões do Iraque e do Afeganistão, Wood mantém a tese ousada de que os Estados Unidos teriam preferido se manter fora de iniciativas coloniais, operando sua dominação por meio dos imperativos econômicos. Sem negar o extremismo temerário da era Bush — algo que inclusive atribui a causa provável da sua própria derrota —, Wood insiste nas continuidades com o governo Obama para ressaltar a essência de toda a política externa norte-americana do pós-guerra como pautada sempre por uma grandiosa visão imperial. Durante o último meio século, a supremacia global foi o objetivo dos Estados Unidos. Com essa premissa, Wood retraça todo projeto norte-americano de hegemonia econômica global, apoiado por poderosa supremacia militar, desde o estabelecimento do sistema de Bretton Woods e a afirmação de sua blindagem militar com as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, até as polêmicas da globalização financeira com a dissolução desse acordo.
Wood vai adiante e localiza uma contradição fundamental no desdobramento da hegemonia norte-americana: apesar de o objetivo do imperialismo norte-americano ser a hegemonia econômica sem dominação colonial, o capital global ainda - e hoje mais do que nunca - exige uma ordem política, social e legal rigidamente regulada e previsível. Um dos destaques de O império do capital é análise das dinâmicas da hegemonia imperial em tempos de dito declínio do Estado-nação, isto é ausência de algo que se assemelhe a um Estado global capaz de assegurar a ordem necessária, tal como o faz o Estado-nação para o capital nacional. Esta edição conta ainda com um posfácio, inédito na edição original, em que a autora responde às principais críticas feitas a seu livro, além de um prefácio inédito escrito especialmente para edição brasileira, em que a autora reflete sobre o legado de sua obra e atualiza a discussão proposta pelo livro comentando fenômenos atuais como as políticas-econômicas adotadas pelos governos Lula e Dilma, as operações espionagem em massa que vieram à tona nos EUA de Obama e o crescente protagonismo da China na nova ordem mundial.

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Sumário:

Prefácio à edição brasileira - p. 9

Agradecimentos - p. 14

Introdução - p. 15

1. O descolamento do poder econômico - p. 21

2. O império da propriedade - p. 33

3. O império do comércio - p. 45

4. Uma nova espécie de império - p. 65

5. A expansão ultramarina dos imperativos econômicos - p. 75

6. A internacionalização dos imperativos capitalistas - p. 93

7. "Imperialismo excedente", guerra sem fim - p. 109

Resposta aos críticos - p. 127